Sunday, February 26, 2012

O Blefe da Vida


                                                                                                           Google Images

Alguns jogos na vida brincam com a sorte, com o conhecimento, com a matemática. Desde jogos de pocker até um mercado de ações. O 'é tudo ou nada' pode surgir no meio do caminho, como grandes perdas e ganhos.  A vida não é muito diferente, talvez por esta razão, sejam jogos tão atraentes - tenho a impressão de que no fundo é muito mais pela semelhança da vida, cujo dinheiro é o único risco. Avaliando, não é nada comparado a vida.

Uma matemática muito além da vista por nossos olhos, na oitava série tive o prazer de ter um professor apaixonado pelos números, ele queria me mostrar o quanto podiam ser fascinantes, não pelo número em si, mas por todo esse brilhantismo de jogos da vida real. Conseguiu!

Cautela, riscos, cuidados, tentativas, falhas, perdas, ganhos, acontecem diariamente sem a necessidade de muito dinheiro. Até os famosos blefes surgem no meio do caminho, o problema é quando você acredita tão piamente neles que muda toda a sua vida por um deles. Como se recuperar ao descobrir que era um blefe?

Você até tenta ler comportamentos, busca se arriscar com os mais conhecidos, para não correr riscos tão intensos, mas, quando menos espera, o blefe surgi nas mãos da pessoa cuja confiança foi criada a muito custo. No blefe da vida, se ganha e se perde. Alguns blefam conscientemente, outros não o sabem, e você só descobre após lágrimas consecutivas, pois é complicado acreditar, elas são as coisas mais concretas para fazerem crer naquela jogada.

Por causa destes blefes aprendemos a não nos empolgarmos demais com boas notícias, ou deixamos de compartilhar conquistas, afinal de contas, e se...?! Isto é, aprendemos a conviver apenas com notícias ruins, afinal de contas, se esta for um blefe, saímos no lucro. Contudo, a vida pode se tornar um grande campeonato ruim e pouco emocionante.

Para um campeonato de qualidade é preciso vibrar com as conquistas, por mais que na próxima rodada você perca, por mais que um blefe te derrube. Excesso de cautela também podem te tirar do jogo, pior, pode impedir grandes jogadas. Lidar com blefe é aprender a viver, aprender a blefar, aprender a lidar com situações que te fortalecerão. Melhor: é aprender que qualquer jogada deve ser feita do seu jeito, da maneira que melhor te agrada, pensando muito mais em você do que no comportamento apresentado pelos outros presentes na mesa, por mais que um deles lhe demonstre grande apoio amigo.

Faça o seu jogo!!!

Thursday, February 02, 2012

O que faz você feliz?



O que faz você feliz? A pergunta usada na propaganda do Pão de Açucar é feita muitas vezes no ano, por pessoas conhecidas ou por nós mesmos. Recentemente a FIESP encomendou uma pesquisa para descobrir quais fatores influenciam a felicidade dos brasileiros. Bem, como esperado em uma sociedade capitalista, 60% dos brasileiros afirmam ser o dinheiro motivo para felicidade. Então me pergunto...Será?! 

Não serei hipócrita negando que dinheiro não é bom, mas realmente não consigo acreditar ser ele o motivo de felicidade. Fico pensando uma pessoa com muito dinheiro e só, mais nada, apenas poder gastar com o que bem entendesse, sem o "quem". Será que realmente seria feliz?
O vídeo do Pão de Açucar mostra a felicidade em coisas pequenas - não estou fazendo apologia ao supermercado, até porque é uma propaganda -, mas gosto quando mostram o quanto desligar o despertador para os 5 minutos de soneca pode nos fazer feliz. Ou, um simples banho de chuva. Correr para o abraço, hum delícia, correr para o abraço me parece mais gostoso do que uma nota de R$10.

Dinheiro é bom, e no nosso mundo fica complicado viver sem, contudo, poder olhar para ele vez ou outra e dizer quem é dono de quem, como diria nosso caro Frejat, é essencial para uma vida saudável. Lembre-se, se hoje o dinheiro tem a importância que tem, somos nós os responsáveis.

A descoberta do que realmente faz feliz é pessoal, apenas você mesmo pode responder a perguntar e buscar sua felicidade. Importante é compreender que ela pode estar do seu lado quando você menos espera, a custo zero de dinheiro. Fique atento, pois somos tão pressionados a fazer tudo tão relativo ao dinheiro que deixamos passar momentos que nenhum master card pode comprar.

Respire fundo, dance, sorria e seja feliz. Apenas seja feliz!!! Acredite, a felicidade não está apenas na carteira.

Wednesday, February 01, 2012

Dedilhado


Todas as noites sigo a mesma rotina. Ando pelas calçadas rumo ao metrô, o primeiro acesso não funciona mais, então me direciono para o segundo acesso. E, todos os dias, me pergunto porque o primeiro acesso fecha.

Um esbarro aqui, outro ali, desço correndo as escadas, como se quisesse adiantar o quanto antes o percurso. Em poucos minutos já passei a catraca e desço mais escadas. Entro no metrô e aguardo ansiosamente pela conexão.
Na conexão a subida da escada é ritmada pelo som distante de um piano. Todas as noites, não importa se mais cedo ou mais tarde, ouço os toques daquelas teclas pretas e brancas. Ritmos melodiosos, tristes, às vezes, até parecem chorar a cada toque.

Sempre na minha corrida desenfreada, só permito que meus ouvidos ouçam, não me dou o direito de parar e ir até o dedilhar desconhecido. Eu sei, ali tem um um piano, por lá, tanto faz.

Então, certa noite, mais tarde do que qualquer outra, subia a escada praticamente sozinha quando o som do piano começou a acompanhar o movimento dos meus dedos - eles estavam batendo no corrimão, sabe, quando deixamos nossa cabeça apenas ao leo. Eu não corria, e parei, não permiti que meus dedos continuassem. A música parou também.

Estranhei. Comecei a dedilhar meus dedos e a música iniciou. Por alguns momentos, tive a sensação de estar eu mesma tocando o piano. Mas não seria possível, não tinha sentido. Afinal de contas, nas demais noites, eu não dedilhava, eu apenas andava rumo ao metrô. Não era?! E como eu poderia estar fazendo o ritmo da noite estando tão distante do piano?!

Parei no meio do caminho. Não consegui seguir em frente. Sentia uma forte atração para o lugar onde se encontrava o piano. Caminhei devagar, brincando com meus dedos e o som que ele parecia produzir. Acredite...até a antiga música do gás, que nunca sei o nome, consegui tocar.

Cheguei no piano, ele estava lá, eu sabia, não estava de toda louca, o piano existia. Lembrava de já ter visto ele por ali, e achei o máximo as pessoas poderem tocar de graça. Então, eu estava a ponto de sossegar e me tranquilizar quando senti meus dedos dedilhando sozinhos, e junto com eles a música surgindo e o piano obedecendo.

Comooooo?!?! Eu tocava o piano à distância?!!? Seria isso possível?!?! Sentei no piano para respirar, olhei para meus dedos, para as teclas pesadas daquele piano e não compreendia o que estava acontecendo. Ao apoior meus dedos nelas, não acontecia, eu tentava tocar, mas não sabia. Este fato não me assustou, afinal de contas, eu realmente não me lembro de ter aprendido a tocar piano.

Ainda sentada de frente para o piano, apoiei os dedos em minha coxa e comecei a dedilhar qualquer coisa, o piano escolhia qual o acorde correto e a música surgia. Músicas clássicas, contemporâneas, não tinha vez, eu arrasava. Eu?!

Em um relance vi as horas, precisava correr, pelos meus cálculos aquele o próximo vagão seria o último. Sem entender nada, fechei correndo o piano e corri, enquanto dedilhava minha música preferida.

Thursday, January 05, 2012

Uma jaca no ponto


- O que é isso? - perguntei para a moça ao meu lado, no ponto de ônibus, após ter ficado uns dez minutos encarando o que estava no colo dela.
- É jaca! - respondeu ela, surpresa, sem parar de tirar os pequenos gomos presos e escondidos naquele saco plástico.

- Ah!!! É assim?! Eu sempre vi, mas nunca comi. - continuei admirada por estar vendo aquele fruto, por dentro.
- É sim! ... Pega um pedaço! - oferece toda empolgada.

- Ah, não. Obrigada! Só fiquei curiosa mesmo.
- Imagina, pode pegar, puxa aqui, com força.
Lá fui eu para mais uma nova experiência, o negócio era um pouco escorregadio e um tanto quanto difícil de sair.

- Deixa. Não consigo tirar!
- Pode puxar, segura e puxa com força. - falou enquanto mostrava qual era a forma correta de conseguir retirar aquele gomo.

Peguei com jeito e puxei. O pedaço era grande! Mordi com um pouco de suspeita, a aparência é meio gosmenta, bem branquinho.

- Hummm!!! Gostoso, tem gosto de bala! - indaguei surpresa. Muito doce e com gosto de bala de infância.
- É docinho né?! E é muito bom, enche.
- O que é isso aqui dentro? - Perguntei enquanto mastigava o pedaço mordido.
- É o caroço. Até dá para reaproveitar, mas pode jogar fora.

Enquanto comi um pedaço daquele gomo, da gigante Jaca, ela devorava vários gomos. Era rápida na retirada. Me contou que compra por pedaço na barriquinha perto do Extra.

- A jaca dele é sempre muito gostosa. Quando você quiser, só ir lá.
- Obrigada. Gostei mesmo. Muito obrigada.

Ficamos sentadas aguardando o ônibus e comendo Jaca. Minha mão ficou toda melecada. Então, ela se levantou, e foi embora. Só tinha parado ali para comer a Jaca, devia estar com desejo. Agradeci e peguei a garrafa de água para tirar um pouco daquela meleca.

- Essa é a parte ruim, a meleca demora para sair. - Avisou ela enquanto se distanciava.

A jaca é gostosa, não conseguiria comer muitos gomos por ser muito, muito doce. Minha mão ficou com cheiro de jaca por umas cinco horas. Mas...valeu!!!

Tuesday, January 03, 2012

De canto

 
Toda estabanada coloco minhas coisas em cima do balcão, enquanto procuro pela carteira – ela adora brincar de esconde - esconde comigo -, então, um movimento sem cálculo fez com que minha caneta rolasse, rolasse e ...

- Opa, consegui. Sua caneta até que é obediente.

A caneta parou, eu também. Não sabia se continuava a minha busca impossível, se agradecia, se conversava...apenas sorri. Ele sorriu de volta, era alto, branco – além da conta -, uma sandália marrom velha, e parecia simpático.

- Ah?! O quê?
- Sua caneta. Nem encostei a mão direito e ela parou de rolar.
- É, pois é. – sorri novamente, tentando ser gentil, sem compreender muito o porquê eu era merecedora daquela bela atenção.

Voltei o rosto em direção ao esconderijo possível da carteira. Ele pagou a conta dele, e foi minha vez. Pedi. Paguei e caminhei para a próxima etapa. Ele só tinha pedido uma bebida, mas ainda não fora atendido.

Deixou uma moça passar à sua frente. E quando a atendente veio em minha direção, informei que ele estava na frente.

- Imagina. Estamos juntos. – Disse ele. Não entendi. Como assim estamos juntos? Não estamos não.
- Não, imagina. Você chegou primeiro. – E a moça entendeu o recado, o atendeu primeiro.

Ele se serviu, me deu um tímido tchau e foi sentar. Pude observar que sentará em um dos quatro cantos possíveis. Servi-me, e fui para o canto oposto. Pensando, nunca consigo lidar com estes momentos. O que deveria ter feito? Era uma oportunidade? Não sei ao certo, mas pude sentir como se ele me observasse o tempo todo. Porque não veio falar comigo? Aí, essas situações ainda me matam.