Monday, November 23, 2009

Vãs Filosofias


Em homenagem aos meus delírios com Sócrates e Platão, ganhei uma charge do A.G.



Sunday, November 22, 2009

500 dias com Ela

O título do filme 500 dias com Ela ((500) days of Summer) pode ser um pouco desestimulante, principalmente para quem não tem muita paciência com comédias românticas de sessão da tarde. Ou, se você possui um nível mais alto de testosterona também terá dificuldades em comprar ingressos para esse filme. Bem, parece que seus criadores sabiam disso, já que, logo no início informam não ser esse um filme de comédia romântica.

Claro que, até você ouvir isso do narrador, lerá muitas sinopses que lhe remeterão a ideia contrária do narrador e afirmarão: você deverá se preparar para uma comédia romântica. A história: Guri que se apaixona por guria, assim, logo que seus olhos encontram com os belos olhos azuis dela (impossível não notar que são azuis, você sempre será lembrado disso). Aí, você já pode imaginar todo o resto da história.

O bacana de 500 dias com Ela é exatamente isso. Apesar de ser tão 'a mesma coisa que já vi em outro filme', não é nada igual 'ao outro filme'. O desenvolvimento do filme no formato não linear é ótimo para que você pense sobre a vida dos dois. Fica complicado saber se torce para ficarem juntos ou não. Mas, o roteiro bem amarrado poderá trazer algumas surpresas, outras, nem tanto.

Entre citações como 'A primeira noite de um homem (The Graduate)' e até 'Encantada (Enchanted)' o filme consegue mostrar um outro lado dos casais apaixonados. Sim, tenho que discordar da frase: 'Ele se apaixona. Ela não'. Ambos se apaixonam, porém, ela em uma intensidade diferente da dele.

Viver o 'amor' não é tarefa fácil. Por mais perfeito que ele pareça ser. Quem garante que de fato o é?! E, só porque não deu certo com você, não significa que não dará com outro. Ou, que o mundo está contra você. São algumas das discussões belamente abordadas por Tom e Summer. Alguns momentos são interessantes, como quando Tom mostra o que acontece na vida real e o que gostaria que fosse. Quem nunca teve desses momentos que atire a primeira pedra!

Marc Webb estreia no cinema trazendo uma bagagem especial de seu conhecido mundo musical (estamos falando de um experiente diretor de videos clipes). A trilha sonora tem uma participação especial, diria que o papel coadjuvante. Usada como desculpa para puxar assunto no elevador, para discutir relação e até sair dançando pela felicidade de uma noite bem sucedida; a música mostra sua importância.

Atuações sinceras, humor na medida, fotografia bem trabalhada - aplausos à parte na cena do trem - e, tomadas de câmera inteligentes que além de acompanhar sabiamente a não linearidade dos fatos são capazes de transformar imagens em verdadeiras obras primas - não ligue se você se pegar boquiaberto com o enquadramento em Tom quando este termina de pintar em sua lousa. Webb, de fato, tem jeito para a coisa, talvez, o cinema ganhe mais um bom diretor.

Informação importante, memorize antes de assistir o filme: Summer (Verão), Winter (Inverno), Autumn (Outono), Spring (Primavera).

Saturday, November 21, 2009

Um busão por aí

Dois velhinhos; um sentado outro do lado; colocam o papo em dia ao movimento do ônibus super lotado.

Velhinho Sentado - Mas que calor é esse hem?!
Velhinho em pé - Pois é, pior que aqui na frente, perto do motor parece esquentar de verdade.
Velhinho Sentado - Ahhh...você viu sobre o Battisti ?
Velhinho em pé - Vi sim. Que coisa não?!
Velhinho Sentado - Poxa nem fala, como se não bastasse os nossos criminosos eles começaram a importar de outros países.
Velhinho em pé - É Zelaya, Battisti, o Brasil tá que tá hem?! Com tempo e espaço...
Velhinho Sentado - A propósito, gosto mais de ler o Estado sabia?! Tenho mais confiança.
Velhinho em pé - Ah, eu já desencantei, vejo qualquer notícia. O problema que está cada dia pior.

Um carro entra na contramão, o trânsito estava um caos, para bem na frente do ônibus. O motorista respira fundo e grita: Tá na contramão quer morrer?!

Velhinho Sentado - Passa por cima. O seu é maior mesmo.
Velhinho em pé - É, esse folgado. Mostra pra ele quem manda.
Motorista - Não, melhor não. Quero chegar em casa logo e levar vocês todos embora o quanto antes.
Velhinho Sentado - Eu não perdia essa oportunidade. Passava fácil-fácil.

- Próximo desce. Informa uma senhora, já perto da porta dianteira.
- Desculpe mas... senhora quantos anos a senhora tem? Questiona o motorista.
- Tenho 59.
- A Senhora, tem que pagar então. É 65anos.
- Mas, mas, eu sempre faço isso. E, eu nunca pego esse ônibus. Estou sem dinheiro.
- Oh, senhora. Dessa vez passa, mas é 65anos em qualquer meio de transporte público. Não faça mais isso.

A senhora desce resmungando como se o motorista fosse o culpado e, um chato de galocha.

- Odeio quando acham que só porque a gente é motorista é burro. Não gosto de ser tratado como ignorante. Até parece que não sabia que precisa ter 65. Comenta o motorista para quem quisesse ouvir.

Velhinho em pé - Absurdo mesmo né?!
Velhinho Sentado - Oh motorista, eu já tenho mais de 65 viu?! Mas eu não deixava ela descer não.
Motorista - Pois é, cada uma que a gente passa. É preciso muita paciência e cautela.

O sinal é dado, ninguém desce, o ônibus perde a força para continuar o percurso da ladeira.

Velhinho Sentado - Mas esse motorista tá fraco viu...vai lá môtô...hahahaha
Velhinho em pé - Pisa que tá parando...força!!!
Motorista - Pô, o motorista é bom. Essa lata velha aqui que não responde. Assim complica, vamos chegar só amanhã. Também, nunca vi, dá sinal e não desce. Se eu não tivesse parado vocês iam ver.

Todos dão risada, até os que não estavam na conversa.

Nem sempre ficar com o mp3 ligado é legal, podemos perder grandes emoções do dia-a-dia. E, de quebra, deixar que a viagem fique mais divertida, mesmo em um calor de aparente 40º, sendo espremida por outros trabalhadores cansados.