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A vida pode nos deixar de "boca aberta" em momentos e circunstâncias velhas, novas, iguais e diferentes

Cadeira de Balanço: A Ilha

by - 6:00 PM




A presença de um barbudo causa tanto espanto que um dia, à saída de uma repartição, um garotinho olhou-me, surpreso, e chamou a atenção da mãe, puxando-a pela mão:
"Mira, mamá, mira: un guerrilero!"
A imagem que ficou para as crianças foi esta: quem tem barba é guerrilheiro, lutou na serra.




O fato de Cuba não seguir exatamente o nosso sistema econômico é suficiente para aguçar nossa curiosidade. Fernando Morais aproveita a curiosidade para contar um pouco sobre sua viagem na década de 70 no livro A Ilha. Para não se perder muito em meio a tantas questões distintas, Morais separa o livro por temas e discorre, desta forma nos apresenta um pouco da realidade cubana.

O modo de vida deles fascina e nos faz perguntar sobre as características positivas do socialismo ante ao capitalismo. Contudo, mesmo assim fica difícil dizer se é melhor do quê aqui, trata-se de um estilo de vida diferente. Entretanto, apesar de algumas 'regalias' oferecidas pelo governo, que na verdade nada mais são do que direitos de um cidadão (muitas vezes renegadas em um mundo capitalista), a população se vê limitada em atuar por conta em muitas partes. Não o suficiente para causar decepção ou tristeza, pelo contrário, nas conversas e caminhadas apresentadas por Morais, a população parece compreender a tentativa de 'todos terem tudo na mesma proporção'.

A Ilha é uma leitura válida para começar a entender este espaço tão comentado, pouco conhecido, tão diferente e até mesmo visto como exótico e empolgante por alguns turistas. Um texto prático, informativo e envolvente, nada muito emotivo, todavia suficiente para se localizar e iniciar estudos sobre o país. E se surpreender com muitas divertidas e boas curiosidades - como o fato de serem tão viciados em telenovelas brasileiras.

A Cuba dos anos 70 é diferente da Cuba dos anos 60, da Cuba dos anos 80 e da Cuba de 2001 - revisitada por Morais, cujo prefácio foi feito para reedição de A Ilha em 2001. Em 70 Cuba não tinha mais o apoio dos Estados Unidos e, por esta razão, teve que aprender a se virar sozinha, lidar com questões econômicas antes não preocupantes. A Cuba de 2001 teve que lidar com um mundo sem URSS, o fato de ser uma Ilha parece ter pesado mais, pois não era apenas uma questão espacial geográfica, mas idealista.

A Cuba de hoje não pertence mais a Fidel Castro, seu irmão Raúl Castro é o governante e muitas mudanças têm acontecido. Entre riquezas e pobrezas, o conhecimento afiado da medicina e cinema levam muitos estudantes brasileiros, e não brasileiros, a usufruir bolsas de ensino. Apesar do não desenvolvimento em algumas áreas, Cuba faz questão de desenvolver o ser humano e isso parece uma constância independente da década.

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