Ao nascermos somos apresentados ao que nomea-se família, assim, pelo menos teoricamente. Você nasce e já faz parte de uma, não importa como ela é, a quantidade de membros, nada. Trata-se da família.

Aí mal você se acostuma com essa idéia e começa a compreender cores, formas, sons e afins, alguém decide, por você, que está na hora de novos horizontes e, por mais que esperneie, grite, faça todo o drama de raízes gregas e derrube mais lágrimas do que torneira estragada, você entra na escolinha. Descobre que esta, de certa forma, torna-se uma outra família, já que passa mais tempo nela do que com a família inicial.

O tempo vai passando, a escolinha acompanha seu crescimento; a família vai sofrendo algumas variações. E quando acha que a próxima família a ser formada será quando estiver no altar ou coisa semelhante, o mundo faz questão de mostrar que outros laços e situações lhe apresentarão famílias inimaginavéis.

Uma delas pode ser aquele restaurante que você almoça todo santo dia, com folgas no final de semana. Você chega já cumprimentando todos, perguntando como estão, sorri, almoça, faz alguns comentários, dá tchau e até breve.

Já torna-se tão família que mesmo quando as opções de comida se limitam a três - salada, arroz e feijão - porque chegou tarde demais, faz questão de ficar por lá e comer com a maior alegria.

Como descobriu que virou família? Lembra todos que falam olá sempre que aparece?! Pois bem, olham preocupados para você e conversam:

- Não tem mais mistura. A gente faz omelete; quer?! Pelo menos você não fica sem mistura.

Foi a melhor e mais saborosa omelete que já comeu fora daquela casa que a recebeu quando precisou levar um tapa na bunda para respirar.

Satisfação, em todos os sentidos, agradecimento, sorriso estampado na face de todos. E mais uma família adicionada ao coração de um ser sem significado se não fosse rodeado por suas famílias.