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Teatro | Oh os belos dias!

by - 2:32 PM

O sufoco confortante de Samuel Beckett


No sábado (12) estreou no SESC Santana, em São Paulo, a peça Oh Os Belos Dias de Samuel Beckett. A obra do irlandês foi produzida na década de 60 e permanece com uma intensidade ímpar. Talvez devido as suas fortes inspirações, na época Beckett residia em Paris e próximo à prisão de La Santé, logo todo o reflexo do estar preso, bem como a agonia de não ter liberdade estão presentes no texto. Adicionado ao fato de que o mundo passava por uma transição de prisão, liberdade, opressão e reação muito significativa.

Sendo assim, a peça – já atuada por Fernanda
Montenegro na década de 70 –, incômoda ao mesmo tempo em que adormece. Exatamente, não estamos falando de um simples texto, muito menos de pirotécnicas representações estéticas, efeitos de luzes nem de som. Mas, de um monólogo sem muito movimento interpretado por uma senhora enquanto está enterrada até a cintura nas areias de um deserto.

O todo é extremamente figurativo e seus significados podem variar conforme o momento do espectador, contudo, não podemos negar o grande teor relacionado ao universo feminino. Não é uma peça para todos - apesar de a condição humana e sua capacidade de adaptação serem o ponto central da discussão de Beckett -, a peça corre o risco de ser mais compreendida pela mulher, porém para os homens, ela pode ser enfadonha e repetitiva.

Pensando bem, o mundo feminino, muitas vezes, chega a ser enfadonho e repetitivo, talvez esta seja uma das razões para peça ser tão perfeita. A mulher, juntamente com todas as suas responsabilidades, cuja tendência parece ser só de aumentar no decorrer do tempo, costuma lidar com um cotidiano tão repetitivo que se torna sufocante, suas necessidades pessoais ficam distantes, e ela começa a se agarrar a outras situações para se manter viva. Das verdades indesejadas escancaradas pelo espelho, à presença ausente do marido, cujas poucas palavras são muitas para não se sentir sozinha.

Para completar sua batalha diária, um contraposto de casal cuja liberdade parece ser maior, até o momento em que ela começa a ditar um diálogo do mesmo. Então, notamos estarem tão presos quanto ela e seu marido naquele monte de areia. Isto porque o outro marido também dá pouca atenção para sua mulher, nem se dá conta o quanto ela está cansada, mas, consegue não só prestar atenção na outra mulher, como fica curioso “será que ela está pelada debaixo da terra?”.

A peça ainda levanta vários outros pontos femininos, alguns até podem nunca ter sido observados pelo homem, como seu desespero no falar para ser ouvida, sua necessidade de cessar e se calar e o limite ultrapassado que a faz gritar, mesmo por segundos, para aliviar a dor. Ou, a constante briga em ser cuidadosa na medida afim de não parecer materna demais, afinal de contas, ela é esposa, não mãe.

Como eu disse, peça para menininhas. Confesso ter ficado preocupada em expor meu ponto de vista e ter viajado muito, mas em uma conversa com outra mulher e outro homem – também espectadores da peça – descobri que de fato as botinhas cor de rosa ficarão em êxtase enquanto as azuis vão preferir um longo e confortável cochilo.

Outras Considerações
A atuação da atriz Sandra Dani é maravilhosa, suas caras e bocas conseguem criar o timing perfeito para a comicidade em meio a um drama de arrancar os cabelos. Apesar do meu enorme interesse pela peça, sim minha concentração foi tão além que certos momentos acreditei ter visto a areia se mexer, o tempo de duração é realmente extenso, talvez se os atos fossem divididos igualmente auxiliaria, contudo, ao retornar do intervalo e ver a alteração da altura da areia não sei dizer se seria possível.


Vá preparado, não vá assistir a peça com uma mente fechada e muito menos já cansada, é preciso disposição mental e física para aproveitar da melhor maneira possível. E sim, se você for com suas amigas, talvez seja mais interessante para um conversa no bar no momento seguinte, do quê se for com um homem. Na verdade, estou curiosa para saber se algum homem gostou de Oh Os Belos Dias.

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ONDE: SESC Santana | Av. Luiz Dumont Villares, 579
QUANDO: até 18/05; sextas e sábados às 21h; domingos e feriados às 18h.
QUANTO: de R$5 a R$25
www.sescsp.org.br

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1 comentários

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