Coisas Da Vida !!!

A vida pode nos deixar de "boca aberta" em momentos e circunstâncias velhas, novas, iguais e diferentes

Sua mão

by - 7:35 PM

  
Foi um beijo. Não entendi o porquê do beijo. Não esperava. Eu estava de passagem e quando notei, ele já tinha me abraçado e me dado um beijo. Fiquei incomodada, pois por alguma razão não parecia certo.

Então, me asssustei mais ainda ao sentir outro beijo. De outro. Por que?! Estranhei e continuei sem entender o que estava acontecendo. Nada ali me era a familiar, a casa era imensa, seus três andares estavam repletos de cômodos largos. Dois ou três quartos com grandes varandas viradas para o que parecia um campo de futebol.

Uma sala ocupava todo um andar, mas, eu tinha a sensação de que variava. Aquela escada não estava ali na última vez que subi, e nem na última em que desci. Minha cabeça começou a rodar.

Eu não tinha entendido o quanto estava perdida e deslocada até o momento do beijo. Até o momento dos beijos. De duas pessoas, DUAS! Sentei na escada mesmo, em uma das tantas por aqueles andares, e fiquei ali, pensando. 

Então, ele sentou ao meu lado, encostou seu corpo no meu e pegou na minha mão. Foi então que entendi estar no lugar errado. Aquela mão era pequena, quente, estranha, não combinava com a minha. Enquanto ele segurava minha mão e olhava em meus olhos, minha memória relembrava, aquela era uma mão estranha. 

A mão que eu conhecia, sentia, desejava, adorava e me deixava segura não era aquela. A "minha" mão era grande, com temperatura complementar a minha, se entrelaçava perfeitamente com a minha e fazia com que a minha mão desaparecesse. Era forte na medida e sabia ser carinhosa quando necessário. Foi por isso, por esta razão que o beijo fora tão estranho. Aquela não era a minha mão. Aquele não era o meu amor.

Tirei as minhas mãos daquelas...Não sorri e corri. Corria todos os lances em uma velocidade impossível de ser avaliada, não me importava em cair, só não podia continuar ali e permitir um outro beijo. Não! Eu precisava encontrar as mãos que me pertenciam. Não aceitava ter perdido. Não! Eu precisava delas, sabia disso. Elas me fizeram lembrar de tudo, então eram importantes.

A minha corrida parece em vão, as escadas não terminam. Mas, não ligo, continuarei procurando a minha, a sua mão.

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