Coisas Da Vida !!!

A vida pode nos deixar de "boca aberta" em momentos e circunstâncias velhas, novas, iguais e diferentes

Belas Artes - Lembrança Histórica

by - 12:20 PM

Na rua Consolação esquina com a Av.Paulista fica o cinema Belas Artes. Fundado em 1952 é visto como um dos lugares para assistir filmes fora do meio comercial. Utilizado por moradores da região e "jovens cults".

Uma das grandes atrações do espaço é o Noitão Belas Artes, a compra do ingresso lhe dá direito a assistir três filmes e um café (bolacha, bolo, sucos e bombom) no final da sessão. A balada cultural começa 00h e vai até 06h da manhã. Uma alternativa diferenciada para os amantes por filmes e aqueles que querem conhecer novas pessoas, até porque, entope.

Além disso nada mais é tão diferente neste cinema, a não ser o fato de estar localizado na rua. Nada de lojas de shopping para distrair no caminho. A parte ruim, para os acostumados com a rede Cinemark, é o fato de algumas salas não serem estadium, o som não ser grande coisa e você correr o risco de ouvir o som do filme da sala ao lado. Mas, a sensação de estar, de certa forma, na sala de casa vale o ingresso.

Muitos não conheciam todo esse jeitão Belas Artes de ser. Foi a partir de 31 de março de 2010 que os olhos da população voltaram para o cinema de rua, isto porque a partir desta data o então patrocinador Banco HSBC divulgou que não mais patrocinaria o espaço. Pronto, foi o suficiente para começar a longa história do cinema, tudo indica que acabará hoje.

O cinema tentou novo patrocinador para sobreviver, não conseguia, quando conseguiu, já era tarde demais. Para completar sua saga, o proprietário do prédio não quis renovar o contrato, pois viu uma nova, e melhor, oportunidade comercial com uma loja que deseja o espaço. As negociações entre proprietário do cinema e do prédio vem acontecendo desde 30 de dezembro de 2010. E após valores absurdos, o cinema perdeu sua chance e está marcado seu fechamento para hoje. (Pelo menos até última notícia).

Até a população já tentou se intrometer no assunto, seja na vida real ou on-line. Interessante observar a briga desta nova geração pela preservação da história da cidade. Algo paradoxo. Pelo menos, conseguiram abrir um processo de tombamento do edifício, se este processo ganhar, certamente podemos considerar como vitória do povo. Interessante mesmo é observar o comportamento governamental e de empresas que se dizem apoiadoras da cultura, isto é, uma movimentação quase nula. Como um cinema deste não conseguiu um novo patrocinador em meio a tantos amantes da cultura no meio empresarial?!

Claro que questionamentos sobre o acontecimento Belas Artes são complicados de serem feitos pois ninguém, de fato, contou o que realmente aconteceu. Não sabemos muito do cinema, antes do acontecimento HSBC o cinema ficava vazio, perto das datas de fechamento (foram várias) o cinema estava lotado. Então talvez o rendimento não seja tão positivo para manter um cinema de rua.

A questão é que antes de vivermos em um mundo cultural vivemos em um mundo capital. O dinheiro tem poder ante a cultura. Uma pena, pois perdemos riquezas sem valor - como o casarão Matarazzo que virou um estacionamento, ou vários outros edifícios antigos não valorizados, e muitas vezes, até abandonados.

O crescimento e desenvolvimento de um lugar ainda não encontrou uma forma mais equilibrada de lidar com sua história, ainda não compreendeu a necessidade de estabelecer alguns pontos eternos. Entretanto, quem somos nós para julgar essa dificuldade?! Quantos de nós não jogamos fora as 'velharias' de casa, etc. Difícil.

Sentirei saudades do cinema, já estava acostumada com sua presença e fiz amizades com pessoas bem esquisitas por lá. Os filmes, terei que corrrer atrás de outro lugar, e não sei se encontrarei. Esta é a vida em constante transformação, a nós basta acostumar, brigar, fotografar e não esquecer.

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1 comentários

  1. Amei o seu texto Ca!! Jamais esquecerei de quem me apresentou o Belas Artes, e jamais esquecerei da noitada maravilhosa, com companhias maravilhosas...
    Bjooo!
    André (do final daquele antigo corredor atrás da porta de vidro)

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